Crítica | "We Are Who We Are" - Episódio 3

"Right Here, Right Now III”, terceiro episódio de We Are Who We Are, percorreu a perspectiva de mudanças e descobertas dos dois personagens principais da série, e entregou até o momento, o mais interessante capítulo da história.

Reprodução/HBO


Mantendo a visão de não conformismo e a busca pela confiança do "verdadeiro eu", o episódio 3 de "We Are Who We Are", trouxe a fusão de Caitlin Fraser, dois adolescentes que vivem em uma base militar dos EUA na Itália.

Esculpindo suas identidades neste ambiente (uma base militar) símbolo de disciplina, força, e que traz a figura masculina como predominante, os dois adolescentes fogem de todo esse parâmetro colocado diante deles.

“Right Here Right Now III”, fez uma abordagem necessária e mediada, assim como os dois episódios anteriores, colocando em jogo a masculinidade tóxica.

Fraser é filho de Sarah, general comandante da base, o cargo mais respeitado, realizado por uma mulher que é casada com outra mulher (Maggie), sem medo algum de viver sua vida. A dureza, representada na figura miliar não se restringe à ela, porém, como mãe, esposa, e comandante, ela demonstra que nem tudo precisa ser a "ferro e fogo".

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O preconceito, entretanto, enraizado na figura do pai de Caitlin, sistemático, competitivo e por vezes bruto, é evidenciado ainda mais, no que diz respeito à família de Fraser.

E isso, é algo com que Fraser e Caitlin precisam lutar, como adolescentes neste ambiente ríspido, que obviamente não é onde se encaixam, tentando entender seus sentimentos e corpos.


A masculina também é discutida na figura de outros adolescentes, que exibem seus corpos como se fossem troféus, demonstram sua arrogância em comentários desnecessário, porém, é clara a falta de maturidade, e todo esse comportamento é reflexo do pedestal que os colocaram, simplesmente, por serem homens.

Todavia, essa masculinidade tóxica se mostra benigna. Em certa cena, quando o irmão de Caitlin, Danny, sonhadoramente se pergunta em voz alta como seria simplesmente pular e acabar com a vida cheia de angústia em que ele se sente preso, mostra toda confusão em que ele também se encontra.

Já seu amigo, ao ouvir o desabafo, tem uma reação absurda, mais um exemplo da visão grosseria e insensível de uma frágil masculinidade: “Se você falar isso de novo, vou quebrar seu crânio imediatamente”.

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A cada episódio We Are Who We Are vai descamando questões tão necessárias através de seus personagens, utilizando todo esse contexto, num mix de insegurança e medo, não apenas em seus adolescentes, que sim, são os mais envolvidos na trama, mas também nos adultos, que se revelam cada vez mais frágeis nesse "escudo de vidro".

"We Are Who We Are" contará com 8 episódios, exibidos na HBO às segundas, 23 horas.

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